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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Enfim -Resenha Yedda Goulart


ENFIM! POEMA E PROSA

Maria Waltair Carvalho

 Desde o título desta obra é possível sentir o profundo suspiro de um poeta!É um suspiro de alívio, de realização e, principalmente de vitória!

ENFIM, venci a luta: entre mim e as palavras, entre o concreto e o abstrato, entre a forma e conteúdo, entre aspiração e realização.

Como diria Carlos Drummond de Andrade: “Lutar com as palavras/é a luta mais vã/Entanto lutamos/mal rompe a manhã.”

 “Enfim” obra que vai do anseio de uma alma a conceitos da realidade demonstra no conteúdo diversificado as habilidades da autora para as múltiplas vertentes da Literatura. Na verdade tal diversificação está implícita no subtítulo: Poema e Prosa, por onde transitam os suspiros da solidão, a intensidade amorosa da maternidade, das saudades, das presenças e ausências.

No poema “Morte” Há uma profunda necessidade de definir o indefinível, e uma abrangente circularidade numa busca de expansão para entendimento e reafirmação de esperança sobre os complexos processos de vida e morte. A conclusão é de que a vida continua realizando nossas expectativas de felicidade e evolução!

Em “Poemando o universo Feminino” os poemas denotam o desvendamento de certezas, dúvidas, receios, reafirmações de tendências numa linguagem suave e ao mesmo tempo questionadora e crítica.(Cansei de Ser Metade,Por que a Arrogância?)

Em Prosa revela-se a professora, pesquisadora e a mulher engajada em seu momento histórico, político  e pessoal.

Portanto,”Enfim” ,transcende,alerta,emociona e disserta sobre nossa comum humanidade!


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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

REOLHARES DO TEMPO -PROSA E POESIA

Eva de Lourdes C. da Silva

"Escrever é apurar o olhar.Escrever é desnudar-se frente aos leitores". Eva  C.da Silva, natural de Cambará do Sul é hoje lageana por vontade e adoção,com uma vivência nesta cidade catarinense de mais de quarenta anos.
Sua obra reflete uma escritora centrada e sensível, qualidades que transmite aos textos poéticos ou narrativos.
Estes últimos ,relatos importantes de estilos de vida que trouxe de sua terra natal e encontraram eco na serra catarinense de modo que reflete contextos semelhantes  nestes Estados do sul.

São contextos encontrados em "Tropeadas da Vida" comovente relato da história pessoal e que abrange o regionalismo sulino, daí deslocando-se para relatos históricos que marcaram os primórdios do sécilo XXI, como o atentado  de  onze Setembro nos Estados Unidos,a mais poderosa nação do mundo!
Daí para o excelente texto",no gênero ensaio -  "Palavra: Magia e Poder" estimulando ao " exercício coníinuo para um melhor domÍnio linguístico"..

São relatos que alertam comovem,denunciam demonstrando o escritor com visão crítica apurada a serviço da educação e da cultura ".Pinheiro no Asfalto" , como exemplo desta parte do livro confirma esta dedução ao denunciar o "desastre ecológico".

A autora vai dos tempos de memória ao cotidiano atualizado também pela musicalidade poética onde aflora sua sensibilidade:" Mas poetizar é antes de tudo,falar silenciosamente ao coração"
Dá à palavra poético o poder de transformação em" Alquimia da Alma"ao mesmo tempo em que reafirma ser a poesia a expressão da subjetividade expressa já neste título.

Atualizada, não se nega ao exercício do nano e do microconto,embora seu estilo seja claro e conciso não extrapolando os rigores da clareza.

REOLHARES denota em sua tessitura a alma feminina sensível,atenta,generosa que faz de seus sentimentos, pensamentos ,impressões e vivências registros que eternizam contextos e situações de forma lírica, histórica ,científica e artística.

No seu contexto, a obra demonstra de forma contundente sentimentos e valores  compartilhados por aqueles que amam e tentam decifrar o poder das palavras com as quais se busca entender o mundo e a si mesmo!

ENFIM- POEMA E PROSA


Maria Waltair Carvalho 

 Desde o título desta obra é possível sentir o profundo suspiro de um poeta!É um suspiro de alívio, de realização e, principalmente de vitória!

ENFIM, venci a luta: entre mim e as palavras, entre o concreto e o abstrato, entre a forma e conteúdo,entre aspiração e realização.

Como diria Carlos Drummond de Andrade: “Lutar com as palavras/é a luta mais vã/ Entanto lutamos/mal rompe a manhã.”

 “Enfim” obra que vai do anseio de uma alma a conceitos da realidade demonstra no conteúdo diversificado as habilidades da autora para as múltiplas vertentes da Literatura. Na verdade tal diversificação está implícita no subtítulo: Poema e Prosa, por onde transitam os suspiros da solidão, a intensidade amorosa da maternidade, das saudades, das presenças e ausências. 

No poema “Morte” Há uma profunda necessidade de definir o indefinível, e uma abrangente circularidade na busca de expansão do entendimento e reafirmação de esperança sobre os complexos processos de vida e morte. A conclusão é de que a vida continua realizando nossas expectativas de felicidade e evolução!

Em “Poemando o universo Feminino” os poemas denotam o desvendamento de certezas, dúvidas, receios, reafirmações de tendências numa linguagem suave e ao mesmo tempo questionadora e crítica.(Cansei de Ser Metade,Por que a Arrogância?)

Em Prosa revela-se a professora, pesquisadora e a mulher engajada em seu momento histórico, político  e pessoal:"A Literatura e os textos minúsculos"; a inserção dos contos minúsculos,da trova, quase todos uma reflexão sobre a luta da palavra ,da lingua para sobreviver aos aparatos tecnológicos que permitindo a expansão da comunicação,impedem a expansão do pensamento e do alargamento de nossos eus profundos! 
Portanto,”Enfim”,transcende,alerta,emociona e disserta sobre nossa comum humanidade!


domingo, 30 de setembro de 2012

“A Marca dos Pronunciados” de Antonio Paulo Ramos de Athayde


De uns tempos para cá tenho observado com mais atenção o que provoca tantas dissensões entre as pessoas. Além daquelas que há muito todos nós observamos como a inveja, (de posses, de aparências, de sucessos, fanatismos) e por aí afora, as diferenças de visão de mundo, ou da capacidade do equilíbrio ou do bom senso em relação à interpretação de fatos reais ou ficcionais é que provocam rupturas de comunicação e de relacionamentos.
Assim, vale dizer, que as consequências destas rupturas é que provocam desentendimentos que podem ser transformados mesmo em sérios conflitos,guerras,separações e que geram vingança e desequilíbrios morais .
Nos tempos que transcorrem temos presenciado a ruptura ética em todas as suas formas tais como valores, comportamentos políticos, religiosos, direitos e deveres, e por aí afora.
Algumas rupturas foram benéficas e trouxeram avanços no caminho da evolução humana: tais como o respeito a diferenças, a inserção das minorias na participação destes direitos alicerçados em leis que os respaldam, execução de serviços que favoreçam pessoas especiais, cadeirantes, idosos, crianças e jovens, deficiências de qualquer natureza, respeito às diferenças raciais, etc. Crescendo também a proteção ao meio ambiente trabalhada nas escolas e mais compreensão em relação às reivindicações dos movimentos sociais.
São bons indícios de uma evolução consciente e menos irracional, porém ainda insuficientes e desrespeitados pela maioria, mesmo quando colocam a vida humana em jogo como o caso da falta de consciência no trânsito que tem desperdiçado tantas vidas.
Na verdade, este raciocínio foi inspirado no livro “A Marca dos Pronunciados” de Antonio Paulo de Athayde. Além da trama narrativa que passo a resenhar, um comentário de José Carlos Porto na folha de rosto desta publicação frisando que o autor “situou a ação do seu “thriller” na eterna luta entre o racional e o obscuro.”.
Permito-me inicialmente, a usar o termo trama narrativa em substituição a “thriller” que remete à produção cinematográfica, embora se perceba que a obra em questão contém elementos suficientes para transformar-se em cinematografia pela excelência das descrições  construídas pelo autor  como cenários e personagens, bem como as ações ali desenvolvidas.  Tão surreal como o aparecimento do fanatismo religioso em meio a um processo de disputa entre os Estados do Paraná e Santa Catarina entremeado com a sublevação de operários da empresa inglesa que construía a estrada de Ferro no meio oeste do Estado de Santa Catarina. O autor segue uma vertente criando uma história que se encaixa perfeitamente no contexto histórico e na consciência coletiva do processo que passa a ser o núcleo da narrativa transcorrida num lugarejo denominado Fênix.
Antonio Paulo retoma um tema muito discutido na historiografia catarinense e brasileira que foi a chamada Guerra dos Pelados ou Guerra do Contestado ocorrida de 1912 a 1916.
Na verdade, a criatividade do autor desenvolve o tema a partir de dez anos após um episódio tantas vezes relatado, mas com enfoque diferente,sob o prisma de um novo personagem e de uma comunidade esquecida e criada a partir de um personagem adepto de João Maria ,ora citado como santo ou religioso ,ora como um fanático ou louco que tanto confundiu os envolvidos do Contestado.
Em decorrência das pregações do místico João Maria, o personagem  da trama de “ A Marca dos Pronunciados”,uma espécie de  ditador místico fanático, cuja mente e atitudes são baseadas no que chama de escrituras recebidas daquele ser ambíguo que passou para a história como santo ou como louco.
.Como se lê na contracapa da obra este processo torna-se surreal com o aparecimento do fanatismo religioso, que no caso da obra de Antonio Paulo forma a vertente que passa a ser o núcleo da narrativa transcorrida num lugarejo denominado Fênix.
 A criação do autor, passa a ser uma novela interessante, com encadeamento perfeito de ideias e soluções dignas de uma adaptação cinematográfica pela clareza e coerência  de sua explanação, além da importância dos fatos narrados que nos remetem ao desejo de conhecer mais a respeito daquele sangrento episódio desenrolado no território catarinense pela disputa de terras entre Paraná e Santa Catarina
.”A Marca dos Pronunciados” traz todos os elementos narrativos capazes de prender a atenção do leitor, fazendo com este deseje continuar a leitura com interesse e curiosidade em relação à sequência narrativa e seu desfecho final uma vez que está implicitamente ligada aquele episódio histórico.
Surge assim, um novo autor que promete criar obras de ficção de qualidade histórica e literária. A leitura é agradável  pelo bom encadeamento das ideias e muita verossimilhança  com o contexto histórico de então prendendo o interesse a ponto de ser difícil parar a leitura.
Uma obra realmente inaugural e digna de um bom escritor como demonstra ser o autor de “A Marca dos Pronunciados”.
  

terça-feira, 11 de setembro de 2012

REFLEXÃO


Este texto apresenta o livro :"A FELICIDADE SE CONQUISTA COM A GENTILEZA."



Não há nada novo debaixo do sol (...) Livro do Eclesiastes


O mesmo se pode dizer deste livro, que se pretende, não como novidade mas como mais uma oportunidade de reflexão.Sabemos todos que é da educação e da cultura  que nasce a consciência dos limites pessoais e do respeito ao bem comum.

 Não existe nada de novo nas idéias aqui contidas.Talvez apenas a forma amorosa com que foi escrito e o desejo de ser útil de alguma forma.O livro nasceu de uma grande inquietação diante da permissividade da educação cujos desvios geram a violência social restringindo a liberdade de todos, ceifando vidas e infelicitando as relações familiares,amorosas e coletivas.

È necessário que sejam retomadas algumas normas de convivência que nos aproximem da verdadeira essência do ser humano e possibilitem alívio do

 stress que tomou conta de nossas vidas por falta de que se valorize, perante os jovens , a educação como essencial à felicidade e à conquista da realização pessoal.

A idéia de que ser jovem e ser moderno é transpor conceitos e virtudes considerados do passado tem gerado muita tristeza e desencanto nas relações íntimas e sociais e nasce da permissividade com que pais atarefados enfrentam as avassaladoras influências do mundo.Há confusão entre permissividade, liberdade e relacionamento amoroso entre pais e filhos.

É preciso mostrar aos jovens que ser como todo mundo não é assimilar atitudes negativas, desrespeitosas ou vícios.

Demonstrar que o ser humano nasceu para crescer em todos os sentidos e que os valores essenciais da natureza humana nunca estarão fora de moda ,mas ao contrário devem ser aprimorados.

Embora nada disto seja novidade, a correria da rotina está transformando o homem num ser que apenas é instruído para  desenvolver uma profissão que lhe garanta status financeiro e poder pessoal.

Assim, o jovem se prepara para alcançar uma profissão , mas não para exerce-la com altruísmo e amor.

O individualismo  alimentado pela satisfação de vontades, pelo consumismo desenfreado, ao lado  da produção cultural massiva de baixa qualidade, tais como os “reality shows “ ,os programas que maximizam o crime e a violência ( reportagens,filmes e até o personagens de animação ,etc),a  falta de educação básica, e uma cultura de liberdade sem limites,  estão produzindo a sensação de que a vida  não tem nada além da satisfação de qualquer capricho. Nada tem limites.

Nem o crime! 

Estamos como que adormecidos diante da agitação dos dias,priorizando compromissos que  nunca terminam e nos perdendo de uma visão maior de nossa destinação.Se este livro for útil  e de alguma forma seja capaz de tocar a sensibilidade de alguém, mesmo que de uma só pessoa, sentir-me-ei recompensada.


A autora.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Resenha do livro "A Cidade dos Desgraçados"

Hugo Máximo

*Publicado no Boletim “O Balainho”


Neste livro, Hugo Máximo demonstra seu domínio sobre o romance de sus-pense com fortes componentes visuais o que nos faz refletir sobre as possibili-dades de apresentação cinematográfica, o que o transformaria num filme de terror .

A obra transpõe os limites da realidade e nos conduz totalmente a uma dimen-são surreal onde se trava a batalha entre o bem e o mal, entre a fragilidade humana e o poder das trevas.

A trama muito bem urdida mantém o sobressalto até o último capítulo e a lei-tura como que nos faz reféns ao lado dos personagens , solidarizando-nos com eles e sentindo os horrores que enfrentam.

Classificando-o como fábula, o autor nos incita à decodificação de um conteú-do polissêmico , portanto altamente metaforizado.

A Cidade dos Desgraçados- contém ingredientes insólitos e nos coloca frente a frente com nossos limites.

O tema traz à tona a questão da acomodação e do servilismo diante do poder maior e do medo ao mesmo tempo que demonstra a capacidade humana de superação do ceticismo e do medo.

E é esta superação a única forma de salvação. O suspense em que a trama mantém o leitor é digno dos mestres deste estilo.

Resenha do livro "A Vitória de Vitória "

Urda Alice Kluger
*Publicado no Boletim “O Balainho”


Segundo Ziraldo, cartunista e escritor, um dos autores de maior sucesso na área, escrever Literatura Infantil e Juvenil não é escrever infantilmente.Pelo contrário : “ escrever para crianças requer um esforço dilacerante, uma vez que é necessário reencontrar em si mesmo a criança com sua fé, sua confiança e uma ingênua capacidade de ver o lado lúdico de todas as coisas.

É com esta capacidade que a escritora Urda Alice Kluger, autora de vários romances históricos, livros de viagem, obras memorialistas e documentários, aventura- se pelo mundo da Literatura Infantil e Juvenil com o livro “A Vitória de Vitória”.
Neste trabalho, serve-se a autora deste rico recurso de expressão poética, a personificação ou animação, uma das chaves de sucesso no gênero infantil ,usado desde sempre nas obras que encantam a infância de várias gerações em todos os países.

vista ,às fábulas e histórias em que os animais falam, sentem e pensam como seres humanos.Neste maravilhoso mundo de encantamento, absolutamente tudo, pode “ser” alguém que se emociona,que sofre,que apresenta sentimentos profundos como a dor da perda de um ente querido,a dor da saudade; como também pode ser enganador, esperto e maquiavélico como o lobo mau que se faz de manso e inocente para capturar a ovelhinha que tranqüila bebe água da fonte, da fábula de Esopo, ou para enganar a menina que atravessa tranqüilamente o bosque como em “O Chapeuzinho Vermelho”.
datem a capacidade de ousar, atribuindo vida a uma colher que “orgulhava-se” por ser uma colher com um cabo caprichosamente esculpido com cachinhos de uva e que se “ruborizava” quando alguém elogiava sua beleza.
Mas, a colher que se chamava Vitória e que vivia dentro de um estojo forrado de veludo,passou também por várias dificuldades e sofrimentos , como ter sido trocada de donos várias vezes e ter sido afastada de seus amigos, os demais talheres , entre eles um especial, de nome Herbert , orgulhoso e ranzinza com a própria sorte.
Para falar do tema da perda e separação ,a autora faz com que o faqueiro , onde reside Vitória, além das muitas trocas de casas, se desintegre separando seus moradores durante uma das muitas enchentes que assolavam a bela cidade de Blumenau,personagem presente em quase todas as obras da autora.
Desta forma, sutilmente, estes temas vão trazendo o tema da contingência dos seres e situações , através de um elemento que adquire vida para contar uma trajetória comum para a humanidade .

Nos contos maravilhosos que nos foram narrados na infância, os personagens preferidos para a personificação foram os animais, seres irracionais, portanto, não seres inanimados; estes últimos foram menos explorados.Exemplo mais famoso são as cartas de baralho, que formam o universo de “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carrol,cujo tema revela principalmente a subversão das regras e valores ,como também subversão da linguagem, ou brinquedos como “O Soldadinho de Chumbo de Hans Christian Andersen – que traz a consciência da precariedade da vida, entre outros.
Assim sendo, “A Vitória de Vitória” ,está entre o que chamamos de conto do fantástico-maravilhoso,ou seja,do mundo imaginário ou da fantasia. Utiliza além da personificação –ou animação de seres inanimados – o fator do estranhamento, que faz de uma colher , este objeto tão útil ,ser transformado em um “ser” que sente todas as dores e alegrias de um ser humano.

A “Vitória de Vitória” é uma história que contém todos os ingredientes mágicos que encantam crianças e adultos e ainda traz , nas entrelinhas, uma constante alquímica da autora , que é a transposição das angústias vividas por Blumenau nas várias enchentes que chegaram a ameaçar a existência desta bela cidade, bem como a inserção de realidades tais como :velhice morte e separação, reação e retorno permanente ao lado de um uma expectativa do bem, do melhor.

Assim mesmo , têm sido as vitórias de Blumenau, terra de Urda Alice Kluger.

Resenha do livro "Na Terra do Faz de Conta"

Cardozo. Flávio José. “O Tesouro da Serra do Bem-Bem” São Paulo. Ed.Saraiva, 2002

*Publicado no Boletim “O Balainho”


Neste livro para a infância, Flávio José Cardoso, autor reconhecido nas letras de Santa Catarina pelas inúmeras obras endereçadas com sucesso aos amantes do romance, da crônica , etc resolve dedicar aos mais jovens um espaço den-tro de sua produção ficcional.

Para isto, resgata o olhar infantil relegado a segundo plano, temporariamente, em seu imaginário e em companhia de Xandro , Leco e Lucinha viaja no es-paço do fantástico maravilhoso , ciceroneados pelo Bem-Bem , um bem-te-vi segregado do bando por ser diferente .Apesar disto,é ele que conduz os perso-nagens para as terras distantes da meninice ,lá pelas bandas da Serra do Rio do Rastro ,onde estão fincadas suas raízes.

De repente, enfeitiçado, provavelmente pelas bruxas da ilha , lá no seu refúgio de Santo Antônio de Lisboa , o autor é seqüestrado para o mundo mágico da infância onde o espaço e o tempo se curvam aos nossos desejos e transforma o cotidiano do refúgio , no reino encantado , do bem-te-vi Bem-Bem ,condutor da aventura.

E aqui, o tema da diferença, do abandono e das possibilidades nunca sonhadas compõe uma delicada história que envolve a alma infantil sempre aberta ao extraordinário e à inclusão do mundo fantástico, numa aventura partilhada , em que a liberdade flutua nas entrelinhas através dos elementos :um perso-nagem alado , espaço e tempo indeterminados ,transformações inesperadas, que compõem a estrutura imaginativa da narração.

Pela subversão da realidade o jardim do refúgio se transforma no universo fantástico onde as coisas são o que se quer que elas sejam.
Tempo e espaço não contam. Desaparece o confinamento da visão adulta e o ouvido é capaz de perceber o som diferente do Bem-Bem.

Conduzido pelas crianças e pelo pequeno bem-te-vi, o Vô Pedro embarca no carrinho de mão do jardineiro que é, neste nível, uma possante caminhonete XLL-1000 e todos juntos partem paras os caminhos da serra do Rio do Rastro, em busca de um tesouro que só o Bem-Bem sabe onde está. E o Bem-Bem, é na verdade o próprio autor, livre para voar às paragens da infância acompanhado dos netos, com os quais deseja partilhar sua meninice – o tesouro a ser encontrado.

No espaço do jardim cabe não só a fantasia como também todas as cidades, que vivem na memória do autor e que margeiam a estrada que levará ao alto da serra onde está o tesouro do Bem-Bem.

O tempo da trama é permeado do tempo da memória e o espaço do jardim é o espaço subvertido da aventura; a distância pode ser vencida sem sair de casa e num simples carrinho de mão esquecido no galpão.

A simbologia da literatura infantil está presente no personagem Bem-Bem,o condutor da aventura. Seres alados e seres humanos buscam o tesouro da li-berdade, da percepção dos universos que nos cercam, da valorização das dife-renças,da subversão das convenções e das possibilidades .

As ilustrações são de Evandro Luiz e como sugere a contra-capa: Se você de-seja saber que tesouro se esconde no alto da serra procure ler rapidinho este livro lembrando , se for adulto, que através da leitura poderá voltar à infor-malidade e à despreocupação da infância .

Se é criança,pode embarcar na XLL-1000 e boa viagem.